Arte,Poesia e Viagens

Sexta-feira, 8 de Maio de 2009

Miguel Rovisco..............



Nome: Miguel Rovisco
Nascimento: 1959, Lisboa
Morte: 1987, Lisboa

Dramaturgo português, nasceu em 1959, em Lisboa, e suicidou-se em 1987, na mesma cidade. Autor das obras Trilogia Portuguesa e Trilogia dos Heróis , além de numerosos textos inéditos, foi distinguido em 1986 com o Prémio Nacional de Teatro, cuja importância recusou receber. Postumamente, foram-lhe atribuídos os prémios Garrett, pela peça Retrato de uma Família Portuguesa , e Garrett para a Juventude, por Histórias de Tobias .

Bibliografia: Cobardias, Lisboa, 1988; Trilogia Portuguesa (O Bicho, Infância de Leonor de Távora, O Tempo Feminino), Lisboa, 1987; A História de Tobias, drama em dois actos, baseado no Livro de Tobias do Antigo Testamento, Lisboa, 1989; Retrato de uma Família Portuguesa, drama em três actos, Lisboa, 1989; O Homem Dentro do Armário, Lisboa, 1997



PEQUENA AUTOBIOGRAFIA

Eu nasci num dia de muita chuva, assim o afirma a minha mãe com espanto sempre que a nove de Dezembro a impertinência de umas nuvens breves a desaponta para lá das janelas. O meu pai desejava galhardamente que eu fosse um menino e essa foi a única alegria que eu lhe dei. (Fi-lo sem querer.) Na minha infância aprendi a recitar La Fontaine com a mais correcta das pronúncias, enquanto uma prima da minha bisavó nos chás das quartas-feiras declamava com agrado geral os alexandrinos arrebatados dos cardeais ceando. Ainda hoje se o astro rei brilha pelas alturas, este facto deve-se à modéstia da prima Adelaide que, enfim, não quis deixar Salamanca às escuras...

Depois fui crescendo e tornei-me grande. Tal sucede não apenas aos poetas mas a todos os meninos. (Há igualdade que vão mais cedo para o Céu e pelos quais não devemos chorar, pois foi Deus quem os chamou.) O Primeiro de Maio de mil novecentos e setenta e quatro, passei-o em casa, muito certo de que os acontecimentos daquele dia pelas ruas fora e pelo mundo não poderiam ser mais importantes que os desenrolados na Sagrada Rússia, cento e sessenta e dois anos atrás... – virando na expectativa as folhas do segundo volume. No Liceu de Pedro Nunes conheci por momentos uma felicidade impar, embora não me apercebesse na altura que os meus colegas eram mais puros dos heróis e que Virgílio acompanhava-me por todos os infernos e paraísos daqueles velhos corredores. Como a juventude desdenha a evidência! (Passados os vinte e cinco anos, ser-me-á permitido ironizar algum remorso mais vivo que desde então silenciosamente vem-me doendo – e muito.)

Quando constatei que o meu país não possuía um verdadeiro “teatro nacional” – lida algures esta expressão –, resolvi com toda a seriedade emendar este estado de coisas lamentável. Mas como? Da maneira que melhor me pareceu, ou seja, a leitura dos eternos clássicos traduzidos para português. Convenci-me logo que estava nas minhas capacidades escrever peças muitíssimos melhores – oh bem capaz! Então aqueles é que eram os shakespeares, os racines, os imortais do siglo de oro? Que esperassem por mim e já veriam... – até que um dia, por um desfastio fatal que me salvou, resolvi lê-los, aos coitados dos clássicos, na língua de origem. Hoje admiro-os inexcedivelmente, notando com orgulho a sua influência pelas entrelinhas do que escrevo. Azar aos tradutores da terra portuguesa!


... de resto, continuo a crescer. Em vez de grande, tendo agora tornar-me um pouco sábio, o que ninguém ignora constitui nestes tempos velozes o maior risco para se cair em pleno ridículo. Que faço na vida? Para além de uma dúzia de peças já escritas – estão na gaveta –, gosto de caminhar por Lisboa, aprecio o castelhano desembaraçadíssimo da santa de Ávila e tenho longas conversas de madrugada com a minha prima Adelaide, se estais lembrados. Há amores eternos. Concluímos teimosamente que as coisas vão mal, poderiam ir bem pior todavia! Melhorarão proventura se com esforço e honestidade... – ambos cremos que sim.




Miguel Rovisco

Sábado, 2 de Maio de 2009

Ernst Ingmar Bergman ......

Sexta-feira, 1 de Maio de 2009

Hoje não vieste..........



Hoje não vieste, pergunto-me porquê. Ou terás
vindo, sem sobressalto para os meus olhos ?
Duvido de ti. Mais ainda do meu amor:
tamanha foi a espera que eu já não sei. Mas ficarás
para sempre
como o ultimo anseio do meu corpo - ainda que o perfume
eu esqueça.
Coisa rara - e esse pescoço esguio onde uma madrugada
imaginei......Quero-me convencer
de que tu não vieste - quantos hojes num para sempre ? -
e que ainda te aguardo. Sim imaginei-nos
um beijo.
Miguel Rovisco

Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

Se tu viesses ver-me.........



Se tu viesses ver-me...

Se tu viesses ver-me hoje à tardinha,
A essa hora dos mágicos cansaços,
Quando a noite de manso se avizinha,
E me prendesses toda nos teus braços...

Quando me lembra: esse sabor que tinha
A tua boca... o eco dos teus passos...
O teu riso de fonte... os teus abraços...
Os teus beijos... a tua mão na minha...

Se tu viesses quando, linda e louca,
Traça as linhas dulcíssimas dum beijo
E é de seda vermelha e canta e ri

E é como um cravo ao sol a minha boca...
Quando os olhos se me cerram de desejo...
E os meus braços se estendem para ti...


Florbela Espanca

Domingo, 19 de Abril de 2009

Clarice Lispector ......

A amante humilde

É uma oração a Deus humano, demasiado humano, causa de todos os males, fonte do Supremo Bem, esperança numa outra vida. É uma oração de quem peca pelo pensamento, ao cometer o pecado de pensar. É o conhecimento iluminante, o amor unitivo, o êxtase da alma, a alegria dos sentidos.


«Meu Deus, me dê a coragem de viver trezentos e sessenta e cinco dias e noites, todos vazios de Tua presença.
Me dê a coragem de considerar esse vazio como uma plenitude.
Faça com que eu seja a Tua amante humilde, entrelaçada a Ti em êxtase.

Faça com que eu possa falar com este vazio tremendo e receber como respostao amor materno que nutre e embala.

Faça com que eu tenha a coragem de Te amar, sem odiar as Tuas ofensas à minha alma e ao meu corpo.

Faça com que a solidão não me destrua.

Faça com que minha solidão me sirva de companhia.
Faça com que eu tenha a coragem de me enfrentar.

Faça com que eu saiba ficar com o nada e mesmo assim me sentir como se estivesse plena de tudo.

"Não me mostre o que esperam de mim, porque vou seguir meu coração!
Não me façam ser o que não sou, não me convidem a ser igual, porque sinceramente sou diferente! Não sei amar pela metade, não sei viver de mentiras, não sei voar com os pés no chão...
Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma para sempre! Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das ideias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes... Tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos. Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: - E daí? EU ADORO VOAR!"

Sábado, 18 de Abril de 2009

Quando os meus olhos te tocaram.......


Quando os meus olhos te tocaram
Eu sei que encontrara
A outra metade de mim
Tive medo de acordar
Como se vivesse um sonho
Que não pensei em realizar
E a força do desejo
Faz-me chegar perto de ti
(...)
Estas linhas que hoje escrevo

São do livro da memória

Do que eu sinto por ti
E tudo o que tu me dás

É parte da história que eu ainda não vivi

Quinta-feira, 9 de Abril de 2009

Não sei quantas almas tenho.......


Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

Fernando Pessoa

Domingo, 15 de Março de 2009

Carmen Sousa

Sábado, 7 de Março de 2009

Keith Jarrett Solo Concert

Quarta-feira, 4 de Março de 2009

Estende a tua mão

estende a tua mão contra a minha boca e respira,
e sente como respiro contra ela,
e sem que eu nada diga,
sente a trémula, tocada coluna de ar
a sorvo e sopro,
ó
táctil, ininterrupta,
e a tua mão sinta contra mim
quanto aumenta o mundo

Herberto Helder

Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

Fleet Foxes

Ato de Contrição


Ato de Contrição


Pelo que não fiz, perdão!

Pelo tempo que vi, parado,

correr chamando por mim,

pelos enganos que talvez

poupando me empobreceram,

pelas esperanças que não tive

e os sonhos que somente

sonhando julguei viver,

pelos olhares amortalhados

na cinza de sóis que apaguei

com riscos de quem já sabe,

por todos os desvarios

que nem cheguei a conceber,

pelos risos, pelas lágrimas,

pelos beijos e mais coisas,

que sem dó de mim malogrei


— por tudo, vida, perdão!

Adolfo Casais Monteiro



Sábado, 17 de Janeiro de 2009

Jorge Nicholson Moore Barradas, (Lisboa, 1894 - 1971)



Pintor português, Jorge Nicholson Moore Barradas nasceu em 1894, em Lisboa.
Os seus primeiros trabalhos, incursões no campo da caricatura e da ilustração, recolheram da crítica da época os melhores elogios. Enquanto ilustrador, colaborou em importantes jornais e revistas, como a Ideia Nacional , Seara Nova e Ilustração Portuguesa .
A experiência no campo das artes gráficas influenciou as suas primeiras obras, caracterizadas por um equilíbrio de cor, texturas e luz, associado a uma simplicidade do tratamento das formas.
Jorge Barradas estabeleceu a ligação entre a inspiração naturalista e a tendência fauve em representações da cidade de Lisboa e das suas gentes. Os seus quadros mais famosos retratam as lavadeiras e as vendedoras ambulantes de Lisboa, na azáfama do dia-a-dia. Na sua obra pictórica, executada sobre suportes de grande formato, a linearidade e simplificação dos corpos humanos convive com jogos de contraste de cor e luz, caracterizadores do Fauvismo.
Em meados dos anos 40, estende a sua actividade artística à cerâmica, produzindo peças de cariz decorativo.
Ainda nessa década, contribui para a decoração do café "A Brasileira" e do "Bristol Clube" em Lisboa.
Faleceu na capital no ano de 1971.

Jorge Barradas. In Infopédia, Porto: Porto Editora, 2003-2009. [Consult. 2009-01-17].

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

Manuel António Pina



A meu favor tenho o teu olhar
testemunhando por mim
perante juízes terríveis:
a morte, os amigos, os inimigos.

E aqueles que me assaltam
à noite na solidão do quarto
refugiam-se em fundos sítios dentro de mim
quando de manhã o teu olhar ilumina o quarto.

Protege-me com ele, com o teu olhar,
dos demónios da noite e das aflições do dia,
fala em voz alta, não deixes que adormeça,
afasta de mim o pecado da infelicidade.

Manuel António Pina

Os paraísos artificiais....


Na minha terra, não há terra, há ruas;
mesmo as colinas são de prédios altos
com renda muito mais alta.

Na minha terra, não há árvores nem flores.
As flores, tão escassas, dos jardins mudam ao mês,
e a Câmara tem máquinas especialíssimas para desenraizar as árvores.

O cântico das aves — não há cânticos,
mas só canários de 3º andar e papagaios de 5º.
E a música do vento é frio nos pardieiros.

Na minha terra, porém, não há pardieiros,
que são todos na Pérsia ou na China,
ou em países inefáveis.

A minha terra não é inefável.
A vida na minha terra é que é inefável.
Inefável é o que não pode ser dito.

Jorge de Sena

Sexta-feira, 2 de Janeiro de 2009

LUIZ PACHECO

«e, de repente, apetece morrer. Apetece o grande sossego, imóbil e definitivo. Realmente dormir acabado. O silêncio. A solidão sem sobressaltos paisagens caras novas. A paz connosco. E sem espelho. Não ver ninguém, já mais ninguém. Esta esperança mais que certa seja acompanhada de cantos e alegria. Sem olhar para trás, para quem fica andando, inda ache graça. Os imprevisíveis lamentáveis acidentes da nossa viagem, mesmo os veniais, aqueles de que nos não demos conta na altura mas ficaram vibrando ocultos em nós como alarmes parasitas, clandestinos mas insistentes, uma térmita na aparência insignificante inofensiva embora voraz e teimosa, continuaram ressoando corroendo desfazendo lentamente uma qualquer fibra que nunca saberemos onde estava e era importante. Não se previa já? ou seria então o alvo determinado, a rota desde sempre planeada que muito nos espanta permanecesse assim mascarada doutros caminhos possíveis. A sabermos tudo antes, que chateza, que falta de iniciativa! morte prematura. Insisto, jogando no António Maria Lisboa: apetece descansar e deixar os outros descansar e descansados.»

LUIZ PACHECO (1925-2008)

[in Textos de Guerrilha 2, Ler Editora, 1981]

Quarta-feira, 31 de Dezembro de 2008

Picasso...

Terça-feira, 16 de Dezembro de 2008

Salvem os ricos.........

Quinta-feira, 11 de Dezembro de 2008

William Bouguereau

William A. Bouguereau (La Rochelle, 30 de Novembro de 1825 — La Rochelle, 19 de Agosto de 1905) foi um pintor acadêmico francês.

Tradicionalista, despretensioso e modesto, tornou-se um conceituado artista do século XIX e foi um membro de liderança do Instituto da França e presidente da Sociedade de Pintores, Escultores e Gravadores.

A sua reputação como pintor de temas mitológicos não faz justiça ao pintor de ternas mães, crianças e jovens raparigas. A maior parte destas obras foram pintadas na sua terra natal, La Rochelle, no jardim do seu estúdio, em um estilo realista quase fotográfico que se tornou um sucesso entre os colecionadores de seu tempo, embora modernamente tenha sido relativamente esquecido pela celebridade dos impressionistas seus contemporâneos.

Domingo, 7 de Dezembro de 2008

À minha mãe


Procuro,
folheio livros e livros,
em busca de um poema,
de um parágrafo, de uma frase,
que me falasse de ti
sem que eu tivesse que procurar-te
nas minhas entranhas.
Celan, Heine e Ginsberg não te conheceram,
e nem nos seus mais tristes versos
contam a falta que me fazes.
Mas as palavras dos outros são sempre
mais fáceis. Mais distantes.
Procurei,
em livros e livros,
um poema, um parágrafo, uma frase,
que me resguardasse da mágoa,
como janela de vidro protegendo o rosto
da chuva.
Mas nada do que leio
chega para contar o que sinto.
I miss you
Perco-te. Perdi-te.
Mais do que saudade, que a saudade,
a dor verdadeira está na eternidade
da tua ausência. I miss you
Perco-te. Perdi-te.
Nada que eu faça — nem que galgue quilómetros,
nem que nade o Atlântico — fará com que
me beijes novamente a testa,
que me chames outra vez filhote.

Fecho os livros. Não há poemas
que me possam abrigar a ferida em chaga
que faz hoje dois anos se me abriu na alma.
Com o rosto molhado de lágrimas, desvio
o olhar para a janela. Fixando as luzes da cidade
sob o fundo negro do céu e do rio, vejo o teu rosto
como se estivesses ao meu lado.
Instintivamente levo as mãos aos olhos,
para os secar.
Não quero que me vejas chorar.

Abraço do Pai


Free Hugs Amsterdam

Farol

Entre turbulências, silêncios, enigmas e poemas, há um rasto que me guia, me acompanha e me vigia. Há um laço apertado de nós de atar e de desfazer, de nós de dar e de doer. Há rastos de brilhos que já foram e de restos de mais nada, entre silêncios e trilhos escondidos na madrugada. Há poemas de luz e palavras soltas e amarras fortes, rebentadas pelas ondas.


Há sinais de já ter sido, como um barco encalhado, nas areias brancas de um lugar abandonado. Há pétalas que voam, coloridas, arrancadas por mãos poucos ciosas da vida, enchem o céu de reflexos e mergulham no mar, apenas por um instante, rara beleza de pasmar. Como o fogo de artificio em noites sem luar. Há turbulências ligeiras, que abanam, que não se sentem chegar. Há grandes abalos que chegam sem avisar destroem o que conhecemos, nos obrigam a duvidar.


Há momentos de doçura entre versos, entre paixão ou loucura, há sinais de vida em cada lágrima que rasga mas cura. Nos laços dos laços dos nós que amarramos há pedaços de tudo o que temos e damos. Há pedaços de folhas agarradas aos ramos depois de passar o vento, a tempestade e os enganos. Há sorrisos pequenos, tímidos, hesitantes, daqueles que, de tão raros, nos fazem sentir grandes.


Há horas com dias que parecem não terminar, tempo que não escorre ao invés de acabar. Há tantas incertezas e medos e tanto por perceber entre silêncios e poemas e palavras por dizer, entre pequenos segredos mentiras completas, laços de nós e nós de poetas. Há tanto querer no sinal dum sorriso, há tanto dizer “não sei, mas preciso”, há tanto silêncio, embalado a soluço.


Entre enigmas, mentiras, rasteiras e dilemas, tenho-te presente como um farol, que não procuro mas vejo, e me guia assim, à distância de um beijo que dança em mim.

Sábado, 6 de Dezembro de 2008

Karen Briggs - part 1 - Yanni Live at the Acropolis

A FATALIDADE



A fatalidade,
Várias vezes
No meu caminho aparece;
Mas,
Não consegue perturbar
A minha serenidade.

Sòmente,
No meu olhar,
Poisa e fica mais tristeza.

Não me revolto,
Nem desespero.

- Quero morrer em beleza.

Quinta-feira, 4 de Dezembro de 2008

The Piano

Narciso cego



Tudo o que de mim se perde
acrescenta-se ao que sou.
Contudo, me desconheço.
Pelas minhas cercanias
passeio - não me frequento.
Por sobre fonte erma e esquiva
flutua-me, íntegra, a face
Mas nunca me vejo: e sigo
com face mal disfarçada.
Oh que amargo é o não poder
rosto a rosto contemplar
aquilo que ignoto sou,
distinguir até que ponto
sou eu mesmo que me levo
ou se um nume irrevelável
que (para ser) vem morar
comigo, dentro de mim,
mas me abandona se rolo
pelos declives do mundo.
Desfaço-me do que sonho:
faço-me sonho de alguém
oculto. Talvez um Deus
sonhe comigo, cobice
o que eu guardo e nunca usei.
Cego assim, não me decifro.
E a imaginar-me sonhado
não me completa a ganância
de ser-me inteiro prossegue.
E pairo - calado pânico -
entre o sonho e o sonhador.

Rodrigo Leão......"Ruinas"

Quarta-feira, 3 de Dezembro de 2008

Sou....


Se sou aquilo que penso
Se penso mais no sentir
Se não sinto aquilo que penso
Termino por não existir...
E se penso que sou o sentir
E que sentindo me faço viver
Se não vivo aquilo que sinto
Talvez eu esteja a morrer...
Mas se eu pudesse sentir
Aquilo que penso ser
Não estaria apenas sendo,
Mas começando a viver!

Pausa


Uma pausa apenas.
Queria minha vida em estado de pausa...
... por um tempo.
.
Queria perpertuar um momento...

Quem sabe assim
a distância se torne menor,
o tempo passe mais rápido,
o espaço seja mais curto,
e o coração sofra menos.

Quem sabe...

Sábado, 29 de Novembro de 2008

Dor......



Doem-me os livros que não li
e devia ter lido. São expostas
chagas que nunca hão-de sarar.
Assim também os filmes que não vi
e devia ter visto. São apostas
que perdi e não vou recuperar.

Mas a dor com mais sentido
é a da vida que não vivi
junto de ti
e devia ter vivido.

Silêncios

















Segredo à minha impaciência......


Segredo à minha impaciência: "Acalma-te. Para onde te precipitas ?
Sentado à janela, de cortina afastada para que a luz entre em abundância - e assim acontece - ,
deixa-te ler esse livro de muitas histórias
onde a areia dos desertos é uma constante
e bebe o teu chá matinal, amigo certo.
Assim de cabeça ligeiramente tombada para a frente,
não como quem desiste, mas quem aceita:
a vida, que mais podes tu querer dessa puta ?
Bebe o teu chá de mansinho..... sopra-o, sorve-o
com a complacência digna de um chinês
ou de um ocidental esgotado de hipocrisias.
Se desejares, saúda o nevoeiro desta manhã com um beijo
no vidro da tua janela - contacto arrepiante, mas belo:
de outro modo como beija-lo ?
E não serão todos os nossos beijos assim mesmo ?
Nem penses nisso: esfrega os olhos e recomeça a leitura.
Nem recordes.
Nem aguardes mais.
Respira fundo: sim, eis que seria agradável
ter um lindo canário amarelo que cantasse na cozinha. "

Nuno Miguel Rovisco

Sexta-feira, 28 de Novembro de 2008

Viagens

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Mosteiro de Sumela, Turquia

[
aqui]
Quem Ama


Quem ama nada exige.
Perdoa sem traçar condições.
Sabe sacrificar-se pela felicidade alheia.
Renuncia com alegria ao que mais deseja.
Não espera reconhecimento.
Serve sem cansaço.
Apaga-se para que outros brilhem.
Silencia as aflições, ocultando as próprias lágrimas.
Retribui o mal com o bem.
É sempre o mesmo em qualquer situação.
Vive para ser útil aos semelhantes.
Agradece a cruz que leva sobre os ombros.
Fala esclarecendo e ouve compreendendo.
Crê na Verdade e procura ser justo.
Quem ama, qual o samaritano anônimo da parábola do Mestre, levanta os caídos da estrada, balsamiza-lhes as chagas,abraça-os fraternalmente e segue adiante...
World Press Photo

Mstislav Rostropovich toca Bach


As Fotografias de Amor

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música muito suave

Cirque du Soleil



Henri Cartier-Bresson

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Obras do genial fotógrafo francês Henri Cartier-Bresson.

Lembranças

Existem coisas pequenas e grandes coisas que levaremos para o resto de nossas vidas. Talvez sejam poucas, quem sabe sejam muitas. Dependende de cada um, depende da vida que cada um de nós levou. Levaremos lembranças, coisas que sempre serão inesquecíveis para nós, coisas que nos marcarão, que mexerão com a nossa existências. Provavelmente, iremos pela vida afora colecionando essas coisas, colocando em ordem de grandeza cada detalhe que nos foi importante, cada momento que interferiu nos nossos dias e que deixou marcas. Marcas... Umas serão mais profundas, outras superficiais, porém todas com algum significado. Serão detalhes que guardaremos dentro de nós e que se contarmos para outros talvez não tenha a menor importância, pois ó nós saberemos o quanto foi incrível vivê-los. Poderá ser uma música, quem sabe um livro, talvez uma poesia, uma carta, um Natal, uma viagem, uma frase que algúem tenha nos dito num momento certo. Quem sabe uma amizade incomparaável, um sol que foi alcançado após muita luta, algo que deixou de existir por puro fracasso. Pode ser simplesmente um instante, um olhar, um sorriso, um perfume, um beijo. Para o resto de nossas vidas levaremos pessoas guardadas dentro de nós. .

Umas porque nos dedicaram um carinho enorme, outras porque foram o objetivo do nosso amor. Outras ainda por terem nos magoado profundamente. Lá na frente é que poderemos realmente saber a qualidade de vida que tivemos. Bem lá na frente é que poderemos avaliar do que exatamente foi feita a nossa vida, se de amor ou de rancor, se de alegrias ou tristezas, se de vitórias ou derrotas, se de ilusões ou realidades. Devo pensar, e talvez você também, que sempre hoje é só o começo de tudo. Que se houver algo errado ainda está em tempo de ser mudado e que o resto de nossas vidas, de certa forma, ainda está em nossas mãos.

Women In Art


Women in Art

Surreal

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As fotografias surrealistas de Rodney Smith
[aqui]

Quando olho para mim não me percebo.




Quando olho para mim não me percebo.
Tenho tanto a mania de sentir
Que me extravio às vezes ao sair
Das próprias sensações que eu recebo.

O ar que respiro, este licor que bebo,
Pertencem ao meu modo de existir,
E eu nunca sei como hei de concluir
As sensações que a meu pesar concebo.

Nem nunca, propriamente reparei,
Se na verdade sinto o que sinto. Eu
Serei tal qual pareço em mim? Serei

Tal qual me julgo verdadeiramente?
Mesmo ante as sensações sou um pouco ateu
Nem sei bem se sou eu quem em mim sente

(Poema de Álvaro de Campos)

Vencer o Medo

Vencer o Medo
Parecemos estar hoje animados quase exclusivamente pelo medo. Receamos até aquilo que é bom, aquilo que é saudável, aquilo que é alegre. E o que é o herói? Antes de mais, alguém que venceu os seus medos. É possível ser-se herói em qualquer campo; nunca deixamos de reconhecer um herói quando este aparece. A sua virtude singular é o facto de ele ser um só com a vida, um só consigo próprio. Tendo deixado de duvidar e de interrogar, acelera o curso e o ritmo da vida. O cobarde, par contre, procura deter o fluxo da vida. E claro que não detém nada, a menos que se detenha a si próprio. A vida continua sempre a avançar, quer nos portemos como cobardes, quer nos portemos como heróis. A vida não impõe outra disciplina - se ao menos o soubéssemos compreender! - para além de a aceitarmos tal como é. Tudo aquilo a que fechamos os olhos, tudo aquilo de que fugimos, tudo aquilo que negamos, denegrimos ou desprezamos, acaba por contribuir para nos derrotar. O que nos parece sórdido, doloroso, mau, poderá tornar-se numa fonte de beleza, alegria e força, se o enfrentarmos com largueza de espírito. Todos os momentos são momentos de ouro para os que têm a capacidade de os ver como tais. A vida é agora, são todos os momentos, mesmo que o mundo esteja cheio de morte. A morte só triunfa ao serviço da vida.

Henry Miller, in "O Mundo do Sexo"

One Picture a Day (Re-Post)

One Picture a Day (Re-Post)

Um site de fotografia bom, mas bom mesmo.

Na Vida

Nunca ninguém se perdeu, tudo é verdade e caminho.

Ok Go

Ingmar Bergman

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O realizador de cinema Ingmar Bergman morreu hoje aos 89 anos em sua casa, na ilha sueca de Faarö, onde filmou várias das suas obras-primas. Com uma carreira de mais de 60 anos dedicada à Sétima Arte, o realizador que um dia disse ter "imenso medo da morte" deu hoje o único passo que lhe faltava para atingir a imortalidade. (Expresso)

Eu Gostaria.......


"Eu gostaria de te falar as palavras mais
profundas que tenho para ti; mas não me atrevo,
porque poderias rir de mim. Então eu me rio de mim mesmo
e diluo o meu segredo em brincadeiras.
Caço da minha dor, para que não caçes tu...

Eu gostaria de te dizer as palavras mais verdadeiras
que tenho para ti; mas não me atrevo,
porque poderias não me acreditar.
Então eu as disfarço em mentiras,
dizendo o contrário do que eu gostaria.
Torno absurda a minha dor,
para que não o faças tu...

Eu gostaria de usar as palavras mais preciosas
que tenho para ti; mas não me atrevo,
porque poderias me pagar com palavras de igual valor.
Então eu te falo com rudeza e
caço de ti com a minha força endurecida.
Eu te maltrato, para que jamais conheças a minha dor...

Eu gostaria de sentar-me ao teu lado, em silêncio;
mas não me atrevo, para que o meu
coração não me saia pela boca.
Então eu fico tagarelando e brincando,
escondendo o meu coração por trás das palavras.
Controlo duramente a minha dor;
para que não a controles tu..."

Eu gostaria de sair do teu lado; mas não me atrevo,
pois temo que assim ficarias conhecendo minha covardia.
Então eu levanto a cabeça e chego distraído a tua presença.
E tu, com os insistentes golpes dos teus olhos ,
sempre renovas a minha dor..."

(TAGORE)

È preciso......


É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente,
o vento das horas ponha um frêmito em teus cabelos...
É preciso que a tua ausência trescale sutilmente, no ar,
a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas não se sabe por quem nalgum móvel antigo...
Mas é preciso, também,
que seja como abrir uma janela e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir como sinto - em mim - a presença misteriosa da vida...
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista que nunca te pareces com o teu retrato...
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.
_Mário Quintana

A maior estrela conhecida


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Photobucket

Seja paciente. Espere um pouco.

Gustav Klimt

:
Photobucket

Um belo site em Flash sobre a
vida e obra de Gustav Klimt.

Pablo Picasso


Picasso e Jacqueline, 1957
Fotografia de Davis Douglas Duncan

''A arte é uma mentira
que nos faz compreender a verdade.''

Pablo Picasso

Humor e Ironia na Fotografia


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Fotografias de René Maltête (1930-2000)

Clicar nas imagens para aumentar

Dia Internacional da Mulher


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WOMEN ARE HEROES
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A expressividade destes rostos de mulheres, filmados na Serra Leoa, Libéria, Sudão e Quénia, testemunha a força, a coragem e a vontade de se bater que as anima a viver, a existir. Um projecto dos Médicos Sem Fronteiras que sonha partilhar a história destas mulheres, expondo os seus retratos, primeiro nos seus países de origem, e depois fazendo exposições itinerantes de retratos monumentais em diversas capitais do mundo. A partir de hoje, estes retratos estarão colados em paredes de Bruxelas durante um mês, chamando a atenção para estes rostos fortes e ao mesmo tempo vulneráveis, que o mundo não pode continuar a ignorar.

"Artista"

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Sei que, um dia.......


Sei que, um dia,
De repente,
A vida.
Talvez um sorriso.
De repente, eu sei,
De repente, olho-me
E sou eu outra vez.
Um orvalho súbito
E (tenho a certeza)
Reverdeço.
Uma folha nova
Há-de crescer-me do coração.
E os olhos, como é evidente,
Irão florir.

Sábado, 20 de Setembro de 2008

Recordações


Recordações"Recordações" .... Hoje abri meu baú de recordações. Vasculhei sonhos, remexi ilusões e toquei em feridas. Toquei desilusões. Coisas que marcaram, músicas que ficaram. Perfumes que ainda exalam e se espalham pelo ar. Nos aromas de cada história vivida e de cada sensação sentida, o néctar do meu passado! E bem lá no fundo, escondido em meio as paixões esquecidas, encontrei um amor que tanto me machucou, mas o tempo o cicatrizou. Momentos felizes de festa e euforia! Vida...sábia conselheira, experiente timoneira, nos conduziu a outras direções. Tempo...bálsamo de todas as dores, fecha todas as feridas, deixando em seu lugar apenas cicatrizes. Mas hoje, ao te encontrar nesse baú de recordações,pois já te julgava esquecido, não sei se de emoção, que já não julgava sentir...um soluço sufocou meu peito e eu chorei! E assim, após tanta lágrima derramada, senti minha alma lavada...foi aí que descobri...que cicatrizes, na verdade, são feridas disfarçadas!

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